sábado, 31 de julho de 2010

Relatório de um Anjo

Senhor,
Venho por meio deste relatório descrever minha experiência aqui na terra.
Os humanos são fantásticos!
Eles dizem coisas que não querem, não dizem o que tem que dizer, e as vezes dizem uma coisa mas na verdade querem falar outra.
Eles muito pedem, mas nunca sabem o que querem, nem se precisam do que acham que querem...
O mais intrigante neles são os relacionamentos.
Os homens dizem ser a razão, reclamam quando elas passam horas se arrumando.
Mas seus olhos brilham quando vem que valeu a pena ter esperado.
Mesmo que o encontro atrase. O compromisso que espere! Pois elas sempre conseguem superar a perfeição.
Elas se dizem a emoção. E na verdade são... Elas se irritam quando ele não liga, mas se ele liga pedem mais espaço...
Sofrem quando ele não entende seus sentimentos, que elas não querem flores, anéis, colares, na verdade querem, mas um EU TE AMO já era suficiente.
Falo delas com mais propriedade, pois minha missão aqui era cuidar de uma delas.
Tão bela na sua complexidade, ao mesmo tempo que seus lábios dizem não, seus olhos dizem sim. A mesma mão que te afasta é a que te segura para não ir.
Diz um de seus poetas que elas foram feitas para serem amadas e não entendidas.
Difícil vê-la chorar e não oferecer o colo. Como é bom senti-la nos braços... Tão frágil naquele momento, mas tão forte quando resolve lutar.
Senhor, descobri o verdadeiro sentido do amor, por isso, faço desta carta meu pedido de demissão. Ser anjo foi muito bom, mas troco a imortalidade pela satisfação de morrer amando.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Metades

Horas, dias, semanas
Passa o tempo, passa o vento
Só não passa esse querer
Essa vontade de te ter
Quilômetros... Fronteiras do corpo
Saudade... Angustia da alma
Que só com teu calor acalma
Teu olhar... teu sorrir... teu existir
Vivemos assim, eu e você
Nesse vai e vem
Na insistência do ir...Na certeza do vir
Pobres daqueles que vivem como dois pólos
“Opostos que se atraem”
Somos Céu e Mar, Beijo e Desejo
Carinho e Ternura
Metades que se completam...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quem é ela?

Ela que ri e encanta com o sorriso que só ela tem..
Ela que chora, mas não de sofrer...
Ela que corre, pula, dança...e como dança...
Dança como se tudo só fosse dançar
Como se dançar tudo fosse... e quem sabe não é...
Ela que diverte, alegra, ilumina, afaga, brilha
Ela também briga, grita e agora sim chora de sofrer...
Mas ai, ela sorri e encanta
Corre, pula e, claro, dança e dança e dança...
E então tu me perguntas: Quem é ela?
Quem é esta pequena? De onde vem toda essa magia?
Assim eu te respondo: Ela é energia, a força, a vida
E digo, que ela tudo isso é, por ser apenas ela...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dama da Noite

A noite...
Tão sombria e silenciosa...
Loucos aqueles que vagam sob seu véu
Amantes talvez... Com puros corações...
Ou quem sabe amadores de mentes não tão puras...
Bela a madrugada... Coberta de estrelas...
A lua reina como um farol... Desvendando os mistérios das sombras...
De todos estes, apenas uma criatura,
Somente ela, vaga pela rua sem temer...
Emaranhada em cada arbusto escuro...
Deslizando sobre os becos...
É ela que nos protege...
É nela em que os moribundos confiam a sua proteção
A dama da noite!
Um ser belo... Esguio...
Que passeia pela imensidão negra...
Como se cada canto escuro fizesse parte de seu corpo
Ou quem sabe, seu corpo fosse um mistério a ser desvendado
Como se fosse serva da noite,
Ou quem sabe ela fosse a própria noite...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Minha História

Cada um escreve sua história. Alguns precisam de muitas virgulas para poder respirar, outros de alguns pontos de seguimento para poder reorganizar as ideias. E quando tudo parece uma bagunça, nada como um bom ponto e recomeçar um novo paragrafo. Minha história eu escrevo numa folha em branco, sem linhas e sem margens. Escrevo cada capítulo com riqueza de detalhes,afinal detalhes são a parte mais importante do todo. E quando tudo parece chato e sem razão, eis que surge o melhor dos sinas de pontuação. Nada como uma boa e misteriosa reticência...